Título
A HISTÓRIA E O ASTRÓLOGO: UMA LEITURA BAKHTINIANA DO ENUNCIADO CANÇÃO AL CAPONE

Publicado no livro
LINGUAGEM E PRÁTICA SOCIAL: INVESTIGAÇÕES EM PERSPECTIVA DIALÓGICA DA LINGUAGEM - VOL. 2Capítulo
18
Páginas
352-378
Publicado em
21/09/2026
Autores
Resumo
Este capítulo trata o enunciado canção Al Capone (1973), composta por Raul Seixas e Paulo Coelho, e interpretada por Raul, sob a perspectiva da teoria dialógica do discurso de Bakhtin e o Círculo, bem como da historiografia. Objetivamos investigar de que modos a articulação entre o riso carnavalesco, a linguagem coloquial e a convocação de figuras emblemáticas da história, da política e da cultura (como Al Capone, Júlio César e Lampião) opera como estratégia discursiva de destronamento e desmitificação do poder. A fundamentação teórica mobiliza conceitos basilares como dialogismo, bivocalidade, rebaixamento e riso ambivalente, relacionando-os com o contexto sociopolítico brasileiro de 1973, marcado pela ditadura civil-militar e pelo rigor da censura estatal. análise revela que o enunciado canção constrói uma estética da contrariação, na qual o discurso oficial e monumentalizado de figuras de autoridade é desarmado pela intimidade debochada, pelo vocabulário cotidiano e pela redução das narrativas de poder a deslizes burocráticos e vulnerabilidades físicas, por exemplo. Concluimos que o enunciado canção constitui uma potente réplica dialógica e oblíqua ao monologismo autoritário vigente no período, reafirmando o potencial da canção popular brasileira como território de resistência artística e desconstrução ideológica.
Palavras-chave
teoria dialógica do discurso; dialogismo; carnavalização; enunciado Canção Al Capone
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